Violinos

Queria que você me enxergasse agora, envidraçando Salvador.

Pondo as palavras em sacos plásticos,
coisinhas murchas, fios de cabelo, outonos fechados,
aglutinados, sofrendo, orando.

Luzes entrando assim quando não é tarde nem primavera.

A inocência nos ladrilhos,
entre sete portas: você sóbrio e soberano
enquanto dança em mim a mesma dor.

Cidades bailarinas, de noite: bailarinas,
mas nada hoje é muito sábio.

Solidão é tua palavra chave?
I dunno... mas os violinos partem rasgando, rasgando.

O balé da cidade, os destroços que ela pare
e me manda na madrugada, juntos ao ar.
Mesmo colocando em sacos plásticos, mesmo envidraçado,
muito pouco de nós adianta.

Erguendo pernas e braços, acho que te enlaço,
mas não sei se passas de imagem,
coisa linda que se vê na vidraça
e se se toca e ouve é feito lágrima
de violinos que retornam machucando
e ontem tão distantes pouco impressionavam.

Comentários

  1. Poema emocional. Você pode aproveitar o blog para colocar mais poemas seus, já que por enquanto você ainda não tem coragem de publicá-los em livro. Só não nos prive destas preciosidades. Em comum parece que temos também o amor por Mozz.

    Morrissey Forever!

    Abçs e sucesso na empresa.

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