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Entrevista com o poeta João Filho

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Entrevista com o poeta João Filho
IN: LITERATURA|POESIA
16 mai 2014



João Filho é poeta. E está lançando seu novo livro, “A Dimensão Necessária” (Editora Mondrongo, Bahia, 2014). Sou suspeito para falar de João, pois ele tem sido de uma generosidade ímpar para comigo. Quem diz que não se faz amigos pelo facebook está enganado. Eu e João nos conhecemos e vamos assim contruindo uma amizade. Na verdade, gostaríamaos de nos encontrar e tomar um café ou uma cerveja juntos, conversar sobre literatura, filosofia, música, jogar conversa fora. Mas Salvador é bem longe de Cantagalo. Por isso nos falamos por aqui. E dividimos a conversa com vocês.
Não me sinto capaz de falar da poesia de João. Mas ela é sublime. Há dias carrego comigo meu exemplar de “A Dimensão Necessária” – na minha mochila, na garupa de minha bicleta, no bolso de meu casaco. O talento de João é admirável. Estou há dias degustando ”Nitidez submersa”, o primeiro poema de “A dimensão necessária”, que é de uma beleza indizível.
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- Então parou de chover, mas o vento continua. Fortíssimo. Um gato persegue um mico, e esse sobe feito raio na árvore. E o gato não sobe atrás? Não, não sobe, fica embaixo, olhando o outro. Que estranho, não? Sequer sabia eu que gatos corriam atrás de micos. E há tantos, há muitos, há milhares no campus da UEFS.

- É preciso dar parecer num texto fruto de uma pesquisa em que se discute a imprecisão dos conceitos gramaticais e sua utilização na sala de aula. Quer o autor nos fazer crer que é esse um dos motivos do baixo aprendizado do português padrão no nosso país. São hordas de jovens que mal sabem redigir um parágrafo, hordas de portadores de diploma. E seria a imprecisão dos conceitos de sujeito, predicado, adjunto... seria essa uma das razões pra se passar anos numa escola e de lá sair sem sequer saber ler e escrever? Então temos um país que não sabe ler nem escrever por que não lhe foi ensinado corretamente os termos da oração? Será que nossos avôs sabiam disso? Ligar pra meu avô…

Resenha sobre "Chuva Secreta", Jornal Rascunho, abril de 2014

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A metáfora da chuva

A linguagem é a mais forte marca da prosa de Állex Leilla, com uma precisão milimétrica no uso de cada expressão

Desde o realismo social de Dalcídio Jurandir em Chove nos campos de Cachoeira até o surrealismo alegórico de Campos de Carvalho em A chuva imóvel, o fenômeno natural sempre nos aparece como sinônimo, ou melhor, metáfora de opressão. O tempo sem sol, o céu pesado, a chuva longa surgem bonitos e esperançosos em Graciliano Ramos, no capítulo Inverno de Vidas secas, em que o som de trovões vindo do rio e o cantar dos sapos acalentam os personagem. No entanto, mesmo aí, há uma mancha de mágoa. Fabiano movido pela alegria da invernia até ensaia contar uma história enquanto Sinhá Vitória, precavida, cuida dos filhos sabendo que a bonança tem dono, e não são eles.

Enfim tudo termina por se voltar ao parágrafo final do romance de Campos de Carvalho numa espécie de sentença fatal do destino: “Mesmo morto continuarei dando meu testemunho de morto. Esta chuva imóvel …
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Domingo ouvindo o Rei e bebendo TODAS. Acaba o Jack Daniels, mas o ser humano não quer saber de pausa. Até Bacardi com Licor de Menta rola... Quando começa "A distância", penso naquela clássica cena: abrir os pulsos com gilete numa banheira cheia de sais de jasmim, o sol entrando pelo vidro empoeirado da janela baterá direto no copo de uísque pela metade. É meu sonho antigo!
Mas então me lembro:
a) meu poeta preferido está na varanda, e me espera sorrindo;
b) não tenho mais 27 anos (idade limite pro suicídio);
c) não me despedi das busças, como morrer então?

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O áspero poema? Não mais quero.
O inviável abismo? Já descri.
Foi com inabalável esmero
que duramente me persegui.

Se tudo é insuficiente, espero.
O instante vence o tédio, senti.
Se a valsa mudou-se em bolero,
o ritmo pouco importa, vivi.

Pelo tropeço suavizei o passo.
Seu corpo é o sentido que devasso
devagar, como quem respira.

Gota que se equilibra suspensa -
a vida. Mínima que é imensa,
quando pensa que é real, delira.

In_ JOÃO FILHO. A dimensão necessária. Itabuna: Mondrongo, 2014.
À venda

Livraria Cultura:
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