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Mostrando postagens de Dezembro, 2005
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Voltar. Mar de sempre. Depois de todo o enfado, tanta coisa inútil, anotar, rasgar, jogar fora da memória. Qualquer coisa. Anything: Animals. Back to the old house: Morrissey. A chuva, guarda-chuva: Ana Cesar. O prata do esmalte nas unhas. Não diga nada: Drummond. Na noite não há cérebro, só redes. Cortinas de seda vigiam o tempo. Somos tudo o que pudemos e o que não.
Feliz 2006.

A paisagem da minha janela

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Atualmente, o que vejo são menos de três pedacinhos de mar. Lá longe, no Rio Vermelho. Que se fundem ao céu e ficam indivisíveis quando o céu está muito azulzíssimo, como neste dia da foto. Prédios, vários, é claro, moro no décimo quanto andar. Olhando pra baixo, se vê também uma invasão, no fim de linha do Garcia. Invasão é aquilo que os cariocas chamam de favela. Ou quase. Moro, atualmente, no Canela, bairro central de Salvador. Mas não há barulhos. Graças a Deus. É tudo quieto na minha janela. Cortázar dizia que existiam horas que era preciso atirar tudo pela janela e nós também com elas. A primeira vez que li achei que haviam passado mal do espanhol pra o português. Pensei: tá ruim. Mas não. Está certo assim mesmo, hoje vejo, e quando mais se aproxima o fim do ano, mais certeza tenho: é preciso jogarmos tudo pela janela e nós juntos com elas. Principalmente quando vier aquela vontade de fazer balanço tão própria do fim do ano. E ainda tem coisa pior que o balanço: as listas. Os mel…

Mais poemas

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M.o.r.t.e.
I

O amor que não tive tranca as asas pela casa,
asas mortas na sede de vôos que jamais virão.
Chamava-se água-da-vida
- não sei se você se interessa, lembra, sabe -,
chamava-se água-da-vida a cachaça que sufocou o Fernando.
Perceba que longe, tão longe,
alguém se desespera,
rasgando a noite
com pedidos de socorro.
Não se aflija: não sou eu, não é ninguém.
O dia foi quieto, dentro e fora da pele,
o suor dos amores passados extirpado
na espuma do sabão.
Idade morta, mundo parado,
quase não sinto a hemorragia cristalina dessa droga
avançando pela garganta
peito, umbigo, ventre,
disfarçada com sal-&-limão,
arde tão plena,
devastando-me o corpo
que o amor não tocará. ********************************************************************* Lembrete ao Ivã Coelho que me chama de "sem coragem" pra publicar meus poemas. Primeiro: não é uma questão de coragem, publicar é sorte pura, escapa-nos, porque precisa da vontade alheia (editoras) mais do que da nossa; segundo: está no forno da Bahia, patr…
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Violinos

Queria que você me enxergasse agora, envidraçando Salvador.

Pondo as palavras em sacos plásticos,
coisinhas murchas, fios de cabelo, outonos fechados,
aglutinados, sofrendo, orando.

Luzes entrando assim quando não é tarde nem primavera.

A inocência nos ladrilhos,
entre sete portas: você sóbrio e soberano
enquanto dança em mim a mesma dor.

Cidades bailarinas, de noite: bailarinas,
mas nada hoje é muito sábio.

Solidão é tua palavra chave?
I dunno... mas os violinos partem rasgando, rasgando.

O balé da cidade, os destroços que ela pare
e me manda na madrugada, juntos ao ar.
Mesmo colocando em sacos plásticos, mesmo envidraçado,
muito pouco de nós adianta.

Erguendo pernas e braços, acho que te enlaço,
mas não sei se passas de imagem,
coisa linda que se vê na vidraça
e se se toca e ouve é feito lágrima
de violinos que retornam machucando
e ontem tão distantes pouco impressionavam.

Para Renato Pedrekal Jr.

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Cores, amores, amores, cores. Suaves. Densas. Densos. No porão. Há uma fresta. Por ela, a Vida. A Vida nem sempre chega aos bocados. 'Inda mais quando se está num porão.

Hoje aprendi a escrever de forma correta o nome de quem inventou definitivamente o vermelho, o branco e o azul: K-r-y-s-t-o-f-f K-y-e-s-l-o-v-s-k-y.

Engraçado, eu pensei que fosse com "i" e não "y".

Repare como isso é importante: praticamente ele inventou duas das três cores primárias que existem no planeta.

Leva-se anos pra entender isso. É verdade, eu sei. A Vida nem sempre chega aos bocados. Os discos já não giram, corroídos pelo tempo. Para ouví-los, acendo na tomada a memória.

Você já ouviu o novo disco do Neil Young?
Não. Mas deve estar bom de doer.

De tomada acesa, hoje, sem crise, reparo que não chove nem tem arco-íris.
Te digo com carinho: não é apenas uma rima, mas a seqüência lógica de um pensar viciado. Uma fresta é o suficiente. Crianças adoram frestas.

Exato.

E como elas, eu também adorari…

"Henrique"

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Desgraçado!, volte logo de Munique.
Por favor...
Eu tinha um tesão miserável por ele, quando gozávamos sempre jogava isso em seu ouvido. Louco, louco. Quase sem voz.
Escrevi-lhe. Dei muitas notícias. Que teve eleição pra governador no Rio – teve em todo território verde-amarelo-anil, mas só interessava falar dos nossos próprios narizes –, por protesto, não fui votar e estava me lixando pras multas folclóricas, grande merda é um país que obriga as pessoas a votarem, né, Vic? Falei sobre a duplicação das estradas: só engodo do governo federal, nunca se resolvia muita coisa e os acidentes se multiplicavam; sobre nossos amigos também. Que o Eros me visitava constantemente, que Ronaldo casou com o Décio, fizeram uma festa com cerimônia e tudo. Teve um bolo imenso, cheio de nozes e chocolate em pedaços. Superbacana. Você ia gostar de ter ido, bebemos até de manhã. O Ronaldo de branco e lilás. O Décio de amarelo clarinho. O Tavinho estava também, numa cadeira…