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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Felicidade não se conta - vencedor do 20º Concurso Luiz Vilela de Contos

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Às vezes, procuro pelos meus olhos quando eles não estão juntos aos seus. Encontro-os, diversas vezes, boiando naquelas poças de chuva por onde saltaram ontem nossos pés descalços, frágeis patas de gente. Talvez essa rasidade exista para nos conter ou nos distrair, não sei. O que você sabe sobre a rasidade da chuva?

Ainda havia algumas réstias quando ele se aproximou e deixou que eu capturasse os contornos da face alva, cônica, do olhar vago, azul; pude ver o indefinível escapando de seus movimentos, juntando-se a mim. O feixe de luz, subitamente tão vivo, me assustou. Apertei os olhos, tentando aproximá-lo mais do campo de visão — quem era? Forçar as vistas daquele jeito me doía na fronte, talvez fosse melhor desistir.
É ele, pensei, gostaria muito que fosse ele. Ao mesmo tempo, senti a inquietação a um palmo: e se for, adiantará? Como iremos retê-lo? Naquele instante, não tinha como saber. Deveria ser a segunda ou terceira vez que o encontrava, sempre rápido, rumo a algum objetivo. E…