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Mostrando postagens de Abril, 2007

Rarefação (trechos)

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As cinzas do cigarro e o seu rosto no espelho se abrem e se fecham num jardim sem palavras, sem promessas, num jardim sem.[1]


Meu amor, contador de histórias,
não te ter é embranquecer o nó.
Não temos mais cidades pra grafitar os muros,
correr dos cachorros, cuspir fumaça pra fora dos pulmões,
anotar placas de ônibus, bares entre dois viadutos,
pernas de prostitutas, virilhas fáceis de homens,
adoção sem fim da noite que alguém um dia disse:
é criança, vamos adentrar.
Jogos elétricos, corpos. Cinemas, bazares.
A cor verde-musgo voltando,
a improvável capacidade de amar de dois elefantes,
o inconcebível encontro: meu rosto e seu rosto roxos
no fundo do mar
.[2]


Movimentos de barcos soltos pela casa,
os cheiros do teu corpo ora vivo, ora morto,
você pintado, óleo sobre a tela,
tua boca dizendo: adoro cerejas.
Refazer o passado é morrer.
Os cadernos estão descendo na chuva,
aqui, arrisco ficar guardada,
por isso me molho lá fora
na nebulosidade azul-branca-borrada,
grade de linhas falhas,
celulose ultrapassada..…

FEIRA HYPE, TODO SÁBADO, DAS 13 ÀS 20 HORAS, NO ICBA, CORREDOR DA VITÓRIA

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Feira de Santana: Tom Zé
Viajo segunda-feira feira de santana. Quem quiser mandar recado, Remeter pacote Uma carta cativante Á rua numerada, O nome maiusculoso Pra evitar engano Ou então que o destino Se destrave longe. Meticuloso, meu prazer não tem medida Teje aqui segunda-feira antes da partida Viajo segunda-feira feira de santana Trace aqui seu endereço Sem deixar tropeço Pode seu destinatário Ter morrido ou simulado, Pousado ou avoado Nas sentenças do seu fado... Eu vou ficar avexado Com uma carta sem dono Le-levando a cuja, Penando sem ter pousada Batendo de porta em porta Como uma alma penada. Viajo segunda-feira Feira de santana... Mas se eu trouxer de volta O desencontro choroso Da missão desincumprida Devolvo seu envelope Intacto, certo e fechado Odeio disse-me-disse, Condeno a bisbilhotice. Viajo segunda-feira Feira de santana... Se se der o sucedido Me aguarde aqui no piso, Sete semanas seguidas A partir do mês em frente Não sou letra reticente Palavra de homem racha Mas não volta diferente.

O fim do mundo (trechos)

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[...] Você disse que toda a nossa saudade será em tons azuis, agora, 12:40 da manhã, o filme abre o primeiro flashback que minha mente não consegue evitar: estou naquela passagem azul quando você cortou meus cabelos. Lembra? O céu é de nuvens breves e traz as borboletas de setembro. Você encosta os lábios em meu pescoço - eu dizendo que devia estar cheio de fios do cabelo aparado, você negando -, brinca de me morder forte, beija várias vezes minha nuca, encosta o nariz, e fica esperando o resultado. Eu estremecendo, endurecendo pra você.
Memória interditada. Mais do que no cinema. Segundo café do dia. Você está na minha camisa. Acho graça. O delírio me fez avançar um pouco pro início de tudo. Eu tomando café expresso com sanduíche de tomates secos, Sexta-feira treze, praça da alimentação do Aeroclube. Você vem e pede suco de lima. Olhares cruzados. Os meus observaram o teu cabelo liso solto, voando, o violão dentro da capa escura pendurado em tuas costas, a largura dos teus ombros na ca…
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Uma vez vertigem, sempre problema. Evitemos. Visualizamos o céu de manhã bem cedo e despreocupamo-nos: tudo bem, vai dar tudo certo. Não por merecimento ou fé, mas por que, repense, meu bem: há outro jeito de sobreviver? *** A melancolia. Sim. O pessimismo. Sim. A vontade de morrer. Sim. E se morre? Não. E quando morre? Não adianta: nada. **** A linha é fina mas não tem tensão que a faça interativa: lá é lá, e cá é cá. Sem contato, sem palavras. *** Estás preenchendo o branco apenas por preencher? É verdade. Qual cabimento nisto? Pensei "lilás". Nada veio. "Automatic for the people", pensei. Veio: uma vertigem. É sempre problema. Evitemos.
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mas não sei o que te entreguei ontem, mesmo que me tortures, não me lembrarei, há tantas coisas erguidas lá fora, coisas feias e sujas, coisas mofadas, esquisitas, diferentes de roupas branquinhas cheirando à lavanda no varal.
************************************não adianta nada este olho, este lamento, este grito teu ressoando. eis o caminho sem volta, o caminho do pesadelo: você está congelado na infância, naquele tempo em que, feito o poema do Álvaro de Campos, todos te adoravam e contigo comemoravam o dia dos teus anos.**************************************então vou voltando de mansinho, me aninhando em teus braços, fazendo festa com os pêlos do peito que ora embranquecem. levaremos um tempo inútil, um tempo longo para entendermos que-foi-de-repente que nos jogou noutro canto, que-foi-de-repente que fez este corte estranho.