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Mostrando postagens de Maio, 2007

Por que a infância deles enche nossa vida de sonhos

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Sonhos da menina A flor com que a menina sonha está no sonho? ou na fronha?
Sonho: risonho.
O vento sozinho no seu carrinho.
De que tamanho seria o rebanho?
A vizinha apanha a sombrinha de teia de aranha . . .
Na lua há um ninho de passarinho.
A lua com que a menina sonha é o linho do sonho ou a lua da fronha? (Cecília Meireles)
[...] O mundo não é azul celeste nem marinho, ouvi minha mãe dizer assim que pus a cabeça no travesseiro, tentando dormir, o mundo não é turquesa nem royal, o mundo não é azul transparente nem sombrio, o mundo é cor de sangue, sangue esmaltado, denso, sangue compacto que não muda de tom. Seria como o meu sangue, pensei, sonolento, sem querer me dar qualquer atenção, uma parte da cabeça ainda acesa pelo barulho da rua, outra parte acesa pelo som da voz dela, de minha mãe, que continuava a caracterizar mais o vermelho do sangue, como se fosse possível, seria oriunda do meu sangue a cor do mundo? Vermelho sem variações, encorpado, vazio de qualquer suavidade, vermelho que vai pingando gota a gota, como tinta espessa numa janela de vidro, capturando todas as coisas do apartamento e encobrindo-as: meu guarda-chuva preto, a poltrona onde me sento e leio, a lâmpada apagada dentro do lustre, o armário com roupas, meus sapatos debaixo da cama, os livros, a estante, os blocos coloridos, canetas…

Lara Joazeiro Gomes

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Pra você, um punhado de estrelas e a eterna magia do verbo existir! Bem-vinda!
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Os antigos têm razão quando dizem da importância de se acordar cedo, não há nada melhor no mundo para acender o cérebro da gente do que a luz crua da manhã. Está um tempo chuvoso, e ela já acumulava milhares de imagens e frases soltas que são, em verdade, o seu passaporte pra um mundo interior. O que haveria de ser pintado, dito? Contar os passos na rua dos Escravos, entre as pedras irregulares, os acertos e topadas dos pés dentro dos sapatos. Pensou então inteira dentro dele: um amor claro, mas não tão límpido que não pudesse conter as salamandras. Era isso o que lhe prometera? Não sabia. Recordar, por vezes, é se atirar em quartos escuros.