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Mostrando postagens de Abril, 2016

Bom domingo

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1. O mar de Salvador é egoísta, lindo azul-cinzento às 7h, não quer saber de guerras, se lixa pra conflitos, não tá nem aí pros que acordaram neste 17 de abril com ânsia, esperança ou medo;

2. Idem o sol, cujo namoro com as ondas do mar chega a ser indecente: se lambem, se fundem, tingindo o mundo de prata brilhante, tão cedo;

3. Esse café espresso com espuma de leite também é deveras egoísta; idem os morangos sangrentos, em círculos em cima do bolo, esperando por degustação;

4. A serenidade da vida tão quieta mas intensamente verde-alaranjada nessas folhas que as amendoeiras dispensam pelas ruas de Salvador, como se estivéssemos vivendo um simples outono e não um caos coletivo;

5. É impressionante o grau de violência contido na alegria da menina de 4, 5 anos, toda molhada de mar, que segura mão do pai à minha frente. Ambos estão voltando de um mergulho no Porto da Barra, e ela diz que está com frio, debaixo do sol das 7h30, enquanto o pai ri, compreensivo, parando a caminhada pra v…

Certas coisas que aprendi com João Filho...

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Há dez anos, o poeta João Filho decidiu morar comigo. Era abril de 2006, e Salvador se desmanchava em chuvas, no seu outono geralmente abafado e molhado, que nem mesmo os passarinhos sabem que é outono. Para concretizar tal decisão, ele rompeu um casamento de quase sete anos. Nunca entendi direito porque desarrumou sua vida tão bruscamente, uma vez que só tínhamos, à época, cerca de vinte dias de namoro. Namoro escondido, diga-se de passagem, já que ele era oficialmente casado. No momento em que me disse me separo pra ficar contigo, senti que ele apostava cegamente em nós, e tratei de fazer o mesmo: apostar, de qualquer maneira, sem mais delongas e a perder de vista, em nós dois. De lá pra cá, aprendo coisas que, muitas vezes, só meses depois percebo que aprendi. Sutilmente, como é próprio dos poetas, as coisas dele vão entranhando em mim e só tempos depois percebo que, naturalmente, as absorvi e que não mais pretendo abrir mão delas. Muitas coisas não posso dizer, pois há limites en…

Caros petistas — eternos, declarados, beneficiados, insanos, sinceros, isentos e afins

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A postura abusiva de vocês já ultrapassou todos os limites do bom senso. Por isso, peço-lhes, humildemente, que atentem para algumas regras que são imprescindíveis à humanidade, independentemente de quem tem o sangue "verde-amarelo" ou "vermelho". São elas:

1. Vocês não inventaram a história, tampouco a verdade, assim como não saiu da cabecinha de vocês a noção de interpretação e perspectiva. Vocês podem, evidentemente, aproveitar as ideias foucaultianas de micro-história, micropoder e, citando Pesavento aqui e ali, trazer à tona tudo aquilo que vocês considerarem excluído dos "discursos oficiais", tudo aquilo que pode ser relacionado às histórias de vencidos e minorias. Mas isso não os transforma automaticamente em donos dessas histórias nem dessas classes, gêneros e etnias. Façam o que fizerem, usem a teoria que for, vocês continuarão sendo, na melhor das hipóteses, um pesquisador como outro qualquer. Pior: o que vocês produzem é passível de interpre…