A paisagem da minha janela

Atualmente, o que vejo são menos de três pedacinhos de mar. Lá longe, no Rio Vermelho. Que se fundem ao céu e ficam indivisíveis quando o céu está muito azulzíssimo, como neste dia da foto. Prédios, vários, é claro, moro no décimo quanto andar. Olhando pra baixo, se vê também uma invasão, no fim de linha do Garcia. Invasão é aquilo que os cariocas chamam de favela. Ou quase. Moro, atualmente, no Canela, bairro central de Salvador. Mas não há barulhos. Graças a Deus. É tudo quieto na minha janela.
Cortázar dizia que existiam horas que era preciso atirar tudo pela janela e nós também com elas. A primeira vez que li achei que haviam passado mal do espanhol pra o português. Pensei: tá ruim. Mas não. Está certo assim mesmo, hoje vejo, e quando mais se aproxima o fim do ano, mais certeza tenho: é preciso jogarmos tudo pela janela e nós juntos com elas. Principalmente quando vier aquela vontade de fazer balanço tão própria do fim do ano. E ainda tem coisa pior que o balanço: as listas. Os melhores filmes, os melhores discos, as melhores frases, as melhores cenas, os melhores livros do ano. É uma tentação. E os piores também. Mas segure a onda. Não faça a menos que tenha certeza que está fazendo algo bacana. A maioria das listas e dos balanços são tão pessoais que não interessam nem ao pudle do vizinho. Sim, nem àquele cachorro-branquinho-alegrinho-de-vida-tão-fácil que se interessa por qualquer merdinha que passa por ele, inclusive você.
Tá combinado?
Tá.
Mas o melhor filme do ano foi "Brilho eterno de uma mente sem lembrança". E a música que ficou na minha cabeça foi "Dias", de Dado Villa-Lobos e Paula Toller. E o melhor livro... não, não. Juro que não farei isso. OK.

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