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Mostrando postagens de Abril, 2010
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Imagem by katia Almeida
Uma música que se altera. Dias há em que é somente um sopro entorpecendo; um voo, um esquecer as agulhinhas, muitas, tantas; um novo poder voar por uns segundos.
Noutros dias, a violência do farfalhar das cortinas bate contra os sentidos; cérebro e dentes rangendo; tremores e nascimentos; umas células desgrudando; pelos poros capilares, é possível sentir algumas delas morrerem, outras, substituindo-as em seguida.
Loucura. Apenas loucura.
O tecido das cortinas cinzentas.
Sim, somente isto.
Quando as cortinas se movimentam, é possível ir além. A carne escancara as portas. Ou antes, as portas é que são escancaradas pela corrente de zumbidos, chicote de vento nas cortinas, as cores feito sangue fluindo, e a vertigem que aumenta o poder de sentir, que desfaz o limite corpóreo, apaga o que restringiu o corpo, desde o princípio, a ser somente corpo.
Liberdade de voar junto ao tecido. Como a textura das mantas verdes ou azuis que cobrem os primeiros dias de vida. Os son…
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Estouravam cliques na cabeça enquanto dormia. Não sabia se cinema ou fotografia. Acorda variado, buscando qualquer instrumento de conexão com a vida concreta, ali, na frente, à espera. Sair do sonho é um banho lento de luz abocanhando o quarto. Longo tempo em que não se reconhece aquele outro ser esparramado, diluído. Até achar os fios. Não precisa ser inteiramente tecido. Um fio ao acaso serve. Basta que se conecte de novo. Provisória e aleatoriamente. Por exemplo, hoje, às 2:40, foi o rádio-relógio de números verdes brilhando no escuro. Amanhã pode ser a presença invisível do mar que habita esta cidade. Ou o barulho da rua. Quiçá, o corpo do outro descoberto, respirando, tão perto.