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Mostrando postagens de Agosto, 2007
[...] Ainda posso ouvi-lo terminando a última frase da única música que tocou pra mim naquela noite: “maai endlessss looove”, batendo forte nas cordas do violão, com raiva? tesão? pressa de acabar logo? cansaço? Aquela merda de música brega. Na penumbra do quarto, pisei sem querer na capa de um livro de David Leavitt - Family Dancing, anotei na cabeça - entropecei no cinzeiro e esparramei cinzas e tocos de cigarro pelo chão encarpetado. Ele deixara a mala de sei lá qual viagem entreaberta, reparei. Não arrumava nada, ao contrário, ia abrindo as janelas e fechando as cortinas - o que era inútil pois o vento as espalhava de novo -, jogando toalhas limpas, um monte, brancas e felpudas, e sabonetes em minha direção. Quer tomar banho? Tome. Não quer? Não tome. E ria num tom mais grave do que o que usava pra cantar: rá, rá, rá, rá, rá. Quer beber? Beba. Apontou as garrafas na sala. Quer comer? Coma. E apontava a cozinha. Achei que ele estava fora de si e fiquei no meu canto. Havia um quadro …
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O meu amor ignora a fome e os maltratos do mundo.
Com meu coração alheio
circulei o mar.
Você chegou da terra do frio,
com suas noites de choro e suicídio alheios.
Em carne viva e cada vez mais passível de disseminação de vírus,
estou a te adorar.

Acabar de vez com a velha história da sereiazinha e do príncipe
que agora virou pescador.
Pequena, vago à tua procura.
Estás sempre entre outros homens,
e é na boca deles, não na minha, que mergulhas
a língua que quero pra mim.
Amaldiçôo meu amor inacabado e torto,
quero que o mundo solte mais pestes e mais bombas
e quero da sacada aplaudir e olhar.
Com meu coração inteiro
caminho de volta ao mar.

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E quando passas na rua, vais deixando miúdos de mim
que o sol esmaga sobre as poças onde saltam teus pés.
Na Praça do Medo, na Av. das Flores,
no beco dos Martírios, na Tiradentes, esquina com a Canários,
antes de chegar na Rua L…
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Quarto-crescente


Botões presos às camisas, em filas, bordadinhos.
Foi molhar as plantas
e os dias abriram-se em labaredas.
Andar já não se quer,
o mato espezinha, vidas estranhas
querem acompanhar todos os prenúncios
tanto de guerra como de calma.
Vazia, já sem noite ou manhã,
no intervalo de regar ou pôr botões,
costurou uma letras,
umas letras puseram-se de pé
e já estavam a esburacar
as tristes paredes da casa.