Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2006

Poeminhas

Imagem
De dentro


No mais, o sonho foi sempre uma ponte
pra te ver despida de agulhas.

A grande marca do crime sempre foi,
em momentos de extrema renúncia,
perceber o renunciado se aglutinando
em bolhas de cera líquida.

Deixar-se fazer em verbo,
o que é outra prisão.

Parto pra esfera onde não há bases de formas
(formas e não-formas se (d)entrecruzam),
uma árvore te tem em cor e voz
enquanto do teu corpo o mar acorda.

Gris empurrando verdes.
Gris. Átomos. Teoria:
vã.

Quando me disperso, estou lavada de cinza.
Quarto, nuvens, água, trago, café:
enxugam.

O lado de cá agora é ruminoso.
O lado de cá é uma afronta às cores.
Não gosto nem de Machado, nem de Graciliano, nem de Guimarães, sou uma pessoa super-antipática, vá se acostumando. Antes, bem antes, gostava de Cassandra Rios e dos poetas ultra-românticos. Mas não faz mal, pouco importa, não vamos a lugar nenhum nem com os primeiros, nem com os últimos, pois tudo que pensamos vira papeizinhos coloridos pra se jogar da sacada do 12° andar. Estamos é sem tempo: relógio no conserto, fronteiras a perigo. Vou te buscar noutro mundo, então. Quero te perguntar por que não há primavera nem um verão verdadeiro em teu planeta, só outono e inverno e minguados raios de sol. Chego perto de ti e esqueço a estrutura que comanda a sua língua, como é que se iniciam as perguntas em sua língua, meu amor? Não fosse a delicadeza do amor que nem mais encanta mas quer guardar um resto de elo dentro de nós, eu rasgaria tua imagem, cuspiria em cima, chutá-la-ia em direção ao terreno baldio que vejo lá embaixo. Quero pronunciar alto o teu nome, …
Imagem
Soteropolitano

Nunca se dividiu tantos nomes assim, nunca se embaralhou tanto, nunca do tanto fez-se toda compreensão. Das escolas foram guardados uns objetos (com eles as descobertas, com elas as repulsas). Dos sorrisos, algumas rugas, quem sabe também poucas mágoas.
Por isso está feia a inquietação. Está em quarto-crescente, como que encobrindo de gelo umas idéias mais nobres.
Quem sabe se das páginas que você imprime, os dias passem a sair menos turvos e, feito sinais, venham colorir também os postes, envolvendo o que quer de olhos, o que quer de atenção, dentro desta cidade lânguida.
Esta cidade é uma prostituta, os sexos todos ela distorce e ostenta. Eu quase que sinto o teu arriscar de homem distante pelas ruas dela, quase posso pensar no que te beira e se oferece.
Como a luz dos postes, nem sempre só nem sempre viva, cerco e clareio uns dias meus nos quais você figurava de um lado pro outro, com voz, pele e lentes de vidro confuso de homem distante. F…