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Mostrando postagens de Dezembro, 2009
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a Picture by André Toma

[...] caminhava jogando fumaça fora, não acreditava que tinha conseguido te trazer pra minha casa, não acreditava nas palavras que dissemos de joelhos na cama, olho no olho, coisas fortes que não se diz na primeira vez, “quero ficar contigo além dessa noite, todas as noites da minha vida, envelhecer do teu lado”. Até hoje isso me entontece, sabia? Pode dizer que é vaidade, bobeira ou romantismo barato. Não importa, fiz parte do teu segredo, eu te conduzi à noite inteira até que, exaustos, nos mordemos na boca e você adormeceu... Se você não ficar, o que será do meu peito sem este segredo? Repito que sou um homem cansado, 48 anos velhos, velhos. Já não tenho muito pra estragar, veias fodidas de heroína, fígado fodido de álcool e enlatados, narinas fodidas de pó, cigarro, São Paulo-Rio, Rio-São Paulo... Te contei que, às vezes, meu pulmão esquerdo parece abafado? Eu digo esquerdo, mas pode ser o direito também, ou ambos, algo que sufoca na altura do coração, que e…
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Veio correndo sem fôlego do país das montanhas e das rochas que não se diz.
Agora, a câmera pega de súbito o lábio superior dele, grosso que nem negro,
mas se delineando mais suave no inferior.
Clique, clique: nada escapa à máquina, ele abaixa a cabeça.
Pega os olhos. Now. Olhos sumindo. Clique, clique. São negros ou castanhos escuros os olhos dele? Clique. Só uma luz azul fugidia sobre o corpo dele. Vestido de branco. Cabelo preto. Clique. Ele quase nunca se move quando está ensimesmando-se. Ele toca o ar num gesto vago de quem apenas se dá conta que existe: vida, atomosfera, ar.
Suspende os olhos vez-em-quando, mira: parece dar adeus.
Veio correndo das montanhas, fugiu das matas fechadas daquele país distante que não se diz e, no entanto, permanecerá aqui, entre nós. O mundo é justo e verdadeiro. Façamos um brinde. Um brinde, please.