Mais-que-perfeito

Quantas vezes eu quis que a palavra fosse um choque
terno entre teus lábios e os meus
maiores inferiores quem dera úmidos
dos teus.
Quantas vezes eletrólise
dançar ainda faz bem
ainda um pouco de nós miúdos
um pouco e mais outro
nó.
Quantas quantas vezes
ter é questão de delicadeza de pêlos
uma vez próximos
os teus nos meus
nunca foram tão perfeitos.
Mas
mais que fios e poros tinindo,
não me deixam dormir os membros, os recomeços;
mais que suores, ganidos,
não me deixam dormir os lilases
perfurando as estações.
Nada é nunca tão vazio
se um pouco de voz, um pouco de guerra,
fecham a tarde numa cidade
tão antiga assim.

Comentários

  1. Queria comentar o texto anterior respondendo ao /tópico frasal/: “Por que caras em vez de palavras?” Porque caras não precisam de conhecimento. Até um animal(não os inferiorizando) consegue essa façanha. Já com as palavras é preciso ter cuidado, consciência, lógica e acima de tudo saber usá-las. Ao decorrer do texto, irônico de tão real, é impossível não concordar: “Ave, palavra. A mãe da ignorância.”.
    Quanto ao poema, me limito a dizer que preciso estudar um pouco mais de química ou física, ou seja lá o que eletrólise seja... Gostei muito da interdisciplinaridade e do jogo de idéias desse poema!
    Tiago Prazeres – 1º Semestre Unifacs

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  2. Não pretendo fazer disso um meio de conversa informal, mas, respondendo ao porquê das poesias... escrevi uma! o segredo está nas duas últimas estrofes.
    Boas férias!

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