domingo, janeiro 29, 2006

Poeminhas


De dentro


No mais, o sonho foi sempre uma ponte
pra te ver despida de agulhas.

A grande marca do crime sempre foi,
em momentos de extrema renúncia,
perceber o renunciado se aglutinando
em bolhas de cera líquida.

Deixar-se fazer em verbo,
o que é outra prisão.

Parto pra esfera onde não há bases de formas
(formas e não-formas se (d)entrecruzam),
uma árvore te tem em cor e voz
enquanto do teu corpo o mar acorda.

Gris empurrando verdes.
Gris. Átomos. Teoria:
vã.

Quando me disperso, estou lavada de cinza.
Quarto, nuvens, água, trago, café:
enxugam.

O lado de cá agora é ruminoso.
O lado de cá é uma afronta às cores.

Um comentário:

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