Veio correndo sem fôlego do país das montanhas e das rochas que não se diz.
Agora, a câmera pega de súbito o lábio superior dele, grosso que nem negro,
mas se delineando mais suave no inferior.
Clique, clique: nada escapa à máquina, ele abaixa a cabeça.
Pega os olhos. Now. Olhos sumindo. Clique, clique. São negros ou castanhos escuros os olhos dele? Clique. Só uma luz azul fugidia sobre o corpo dele. Vestido de branco. Cabelo preto. Clique. Ele quase nunca se move quando está ensimesmando-se. Ele toca o ar num gesto vago de quem apenas se dá conta que existe: vida, atomosfera, ar.
Suspende os olhos vez-em-quando, mira: parece dar adeus.
Veio correndo das montanhas, fugiu das matas fechadas daquele país distante que não se diz e, no entanto, permanecerá aqui, entre nós. O mundo é justo e verdadeiro. Façamos um brinde. Um brinde, please.

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