Em papo 'quente', escritoras têm uma certeza: sexo não é tabu na literatura
Állex Leilla e Sylvia Day participaram da mesa "Entre flores e espartilhos".
Uma pergunta puxou o debate: 'Por que tantos livros com temas eróticos?'

Por que tantos livros com temas eróticos? Esta foi uma das perguntas da plateia para as escritoras Állex Leilla e Sylvia Day na última mesa do terceiro dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira, realizada nesta sexta-feira (25).

De um lado, a escritora baiana, autora de "Primavera dos Ossos" e, recentemente, do livro "Chuva Secreta", Állex Leilla, defendeu que o tema existe desde a origem da literatura. Do outro, a escritora do best-seller "Crossfire", Sylvia Day, diz que falar sobre sexo atrai a atenção do leitor e, quando percebem que os personagens têm conteúdo, eles começam a acompanhar a narrativa. Ambas convergem da mesma opinião: sexo não é tabu na literatura ou na vida pessoal, pelo menos para elas duas.

Ciúme, mulher, comportamento e experiências sexuais foram alguns dos temas abordados pelo público no debate. Ao ser perguntada se já foi julgada por escrever sobre sexo, Sylvia Day afirma que acontece a todo tempo. "Por exemplo, as críticas nos jornais principais. Eles não entendem qual é o sentido real da história. Mas geralmente eu não presto atenção para esse tipo de crítica. Eu tenho outros milhares de leitores", diz. Alléx Leilla afirma que nunca foi julgada por escrever sobre sexo, mas relata um fato que chamou sua atenção. "Já escrevi alguns contos com homossexuais e, quando ganhei um prêmio, soube que um dos jurados disse que não iria votar no livro porque só tinha 'viado'", revela.

A discussão sobre a pornografia teve espaço na mes,a intitulada "Entre flores e espartilhos", que teve mediação do professor Jorge Portugal. "O pornográfico é extremamente explícito, não tem muita imaginação, já vem tudo mastigado. Já erótico é questão de sugestividade. Normalmente sugere o que o leitor vai compor. Tenho tendência a gostar mais do erotismo do que do pornográfico. O pornográfico me cansa", relata Állex Leilla.

Sobre a abordagem do sexo pelas mulheres, Sylvia Day defende que o tesão começa na mente e é preciso estimular essa preliminar mental para se conquistar uma mulher. A escritora norte-americana defende que, para escrever algo bom sobre sexo, é preciso ser bem resolvido e ter experiências bem sucedidas.
"Não adianta ouvir falar sobre orgasmo se você nunca teve um", diverte-se. Segundo Sylvia, ela não tem o objetivo de influenciar os leitores, mas não vê nenhum problema caso isso aconteça. "Não estou tentando escrever um manual sobre sexo, eu escrevo sobre o amor. As pessoas descobrem e experimentam a partir dos livros e isso pode ser um efeito colateral, mas não é minha intenção", declara.

IN:
http://g1.globo.com/bahia/flica/2013/noticia/2013/10/em-papo-quente-escritoras-tem-uma-certeza-sexo-nao-e-tabu-na-literatura.html

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