- Alguma coisa que me apaixona... Vai e vem... Como as roseiras dos meus pais. De madrugada, eu acordava e ficava olhando pela janela a luz cinza-prata-branca da lua sobre elas, o vento da madrugada... lá e cá... Era como se olhasse o paraíso de dentro do meu quarto, tão perto...
- Teus pais tinham roseiras?
- Tinham... ainda têm, quer dizer, mais ou menos: é que meu pai mora na mesma casa até hoje... Vou te levar lá pra conhecer...
- Que tipo de rosas elas dão?
- Todos os tipos de rosas, que nem você...
- Por isso que você é poeta assim?
- Não sou poeta...
- E por que começa falar desse jeito então?
- Por causa do teu cheiro que me leva de novo pra lá...
- Meu cheiro? Que cheiro?
- Cheiro de rosa levada pelo vento...
- Hmmmm... romântico você, né?
- Não, realista... Vem mais pra cá...
- Assim?
- ...
- Ai... Não morde...
- ...
- Você é doido... Vai acabar rasgando minha roupa...
- ...
- O que você quer, afinal?
- Adivinha!

Comentários

  1. Que textinho mqis lindinho, gostoso de se ler. Bastou só isso para eu ver como preciso de certos alimentos para a minha alma, diferente de quase todos os que tenho experimentado nos últimos tempos.

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