Quinta-feira, Outubro 21, 2010


Lá fora, apenas uma chuva miudinha. Na vizinhança, ouvia-se repetidas vezes uma valsa. Alguém sofrendo uma falta, tédio, quiçá, um abandono. Deixava acabar e repetia. Uma daquelas músicas raras, que desde a primeira vez nos impõe uma espécie de reconhecimento inexplicável: embora saibamos jamais tê-la ouvido, parece tão familiar que nos espanta a ideia descabida de termos vivido uma vida inteira sem ela. Bela, de uma beleza que envolve, machuca. Não sabia quem tocava tal piano, não adivinhava de qual janela de apartamento se desprendia. Naquela miudeza de chuva: a valsa. Naquela noite fantasma de tão quieta, pois música e barulho de chuva colaram-se ao silêncio do mundo, formando um bloco uníssono.

2 comentários:

  1. Oi Allex, tudo bem? Saudades! Adorei a imagem associada e muito mais o contexto...muito legal, mesmo! Bj. Jusciney

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  2. Essa chuva miudinha, que quem sente saudades olha por entre o vidro embaçado da janela, e sente no fundo da alma a dor e o abandono. Também ouve repetidas vezes valsa que embala ou embalava os corações! Texto que mexe no fundo da alma, principalmente de quem sente essa ausência viva, na mente e no coração, de um alguém que não sabe se voltará.

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