Enquanto não havia o medo, voávamos alto, talvez vôos do tamanho do nosso ego, talvez meros exercícios verbais. Entrávamos e saíamos de abrigos, achando-nos invencíveis, na pior das hipóteses, nossa melhor companhia pra solidão.
Consideremos o que fomos: bichos que ousam não ter medo do vazio, da solidão, da perda. Não ter medo é pensar grande, sabemos, mas é também pensar atropelado. Hoje há um fosso entre o corpo e alma. Chamamos precaução, receio, cautela, cuidado. Que nada! É o medo.
Medo de te perder subitamente. Teu cheiro, teus pêlos, teu umbigo, tuas coxas, teus braços, teu toque. Perder tuas palavras, tuas histórias repetidas, abruptas, engraçadas. Tua alma calma junto à minha. Tua cabeça viajando sem sair dos lençóis.
A vontade sem sentido de gritar no meio da rua: não me deixe! Tem cabimento? Não. Mas como mentir? O medo estrangula a garganta. Fazer o quê.

Comentários

  1. o medo de perder algo é doloroso.

    foi nelsinho magalhães que me indicou seu blog.

    gostei. voltarei mais vezes.

    tenho dois blogs:

    www.buenasrocks.blogspot.com

    www.lavergadelbuenas.blogspot.com

    até mais.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Vim ver o Roberto, cara!

Entrevista com o poeta João Filho

Série: a difícil-incrível arte de viver - parte III