quinta-feira, dezembro 14, 2006

fonema não fode.
sua lavra nunca traduzirá
a manhã azul que se projeta
da buça dela.
sua lavra nunca traduzirá
o cheiro-sujo que a pica aspira,
mela gengivas
o pau procura palavra,
mas palavra nunca traduzirá
a buça aberta.
(João Filho)

Qual foi a natureza das coisas que amei?

Está muito, muito quente. Ainda não é verão, mas a cidade ferve e é repleta de urgências como se vivesse em verão pleno.

Quem sabe quando deixaremos de procurar com ânsias sentir a proporção inteira daquilo que desejamos? Quem sabe se, ao termos o que desejamos, apaixonadissimamente, perderemos o hábito/gana/angústia da posse?

Talvez leve, em harmonia, como a assimilação de contéudo & forma, ficando menos longe e menos dor, ficando sempre pele e sempre viço.

Conseguiremos?

A manhã está doce de tão serena. As preocupações de ontem desaparecem. Efeito da indecisão do tempo. O céu está nublado e há rumores de chuva, mas o sol persiste entre nuvens com sua luz cristalina.

Os olhos recaem a cada terço de hora nos flamboyants vermelhíssimos do pátio do Colégio 02 de Julho.

Sentir a natureza das coisas que amamos. Constitui uma linguagem, percebe? Isto é, nós dois, eu te amo e jamais brigamos. É puro pensamento, reles manhã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Paulistânias II

1 Você deve esquecer que dormiu mal, que dorme mal há semanas, desde que se mudou pra cá. Esse negócio de deixar o negativo de lado (qui...